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sexta-feira, 13 de maio de 2011

PostHeaderIcon Presidente da Conaqj fala sobre as ações desenvolvidas em Sergipe






(Foto:Marcelle Cristinne)
Conhecidas pela exuberante beleza das vestimentas e movimentos ritmados, as quadrilhas juninas são destaque nos festejos populares em todo o estado. Com mais de 50 grupos registrados em Sergipe, a necessidade de criar instituições que beneficiem e organizem o movimento em prol da preservação da cultura junina faz-se necessário.
Foi pensando nisso, que o quadrilheiro e presidente da Confederação Nacional de Quadrilhas Juninas, Michael Helry, criou recentemente esta entidade, que de acordo com ele, visa desenvolver ações que fortaleçam o movimento junino no país. Sobre a criação da entidade e suas recentes ações, o presidente da Conaq falou ao Portal Infonet.
Portal Infonet- Você assumiu a diretoria da Confederação de Nacional de Quadrilhas Juninas recentemente. Qual a sua relação com os festejos juninos?
Michael Helry- Eu sou de Caruaru, e desde que nasci eu tenho relação com as quadrilhas e com os festejos juninos. Vim morar em Aracaju aos 13 anos de idade e montei um grupo chamado Abusados, que existiu por oito anos. Em 2000, me afastei dos festejos porque fui morar na Bahia, e lá não existe essa forte tradição que temos em Sergipe e em outros estados nordestinos. Porém, eu aproveitei para estudar sobre o São João, e sobre os festejos juninos.


(Foto: Portal Infonet)
Portal Infonet- Como foi criada a Confederação Nacional de Quadrilhas Juninas e qual o propósito dessa entidade, visto que existem outras instituições nacionais que realizam fóruns e eventos voltados para a revitalização e desenvolvimento de ações para a cultura junina?
Michael Helry- Durante os dez anos que eu passei estudando sobre os festejos, eu amadureci a ideia de criar, junto com outras pessoas envolvidas na área, a Confederação Nacional de Quadrilhas Juninas , a Conaq, e a nossa proposta foi a de criar uma entidade que trabalha não só com os festejos juninos, mas com ações que visam desenvolver o movimento, para tentar revitalizar cada vez mais os festejos juninos. A nossa primeira grande ação foi a realização do I Fórum Brasileiro de Quadrilhas Juninas, que aconteceu em Sergipe nos dias 16 e 17 de abril, e trouxe pessoas de todo o país para discutir melhorias para os festejos. Nós convidamos essas pessoas para fazer o evento com o intuito de realizar esse debate entre quadrilheiros e gestores públicos para poder fortalecer cada vez mais os festejos juninos

Portal Infonet- Sabemos que os festejos juninos não possuem forte tradição em algumas regiões do país, e você afirmou que conseguiu mobilizar vários estados para o Fórum, quantos representantes estiveram presentes no evento?

Michael Helry- Como eu disse, teve gente do Brasil inteiro. Foram 21 estados que se inscreveram, dentre eles, estados com tradição nos festejos, como Pernambuco, Ceará, e estados que não são referências para o São João, como o Amapá, por exemplo, mas que vieram com o intuito de aprender e fortalecer os festejos nos seus estados.
Portal Infonet – Por que Sergipe foi escolhido para realizar o I Fórum de Quadrilhas Juninas? E quais foram os resultados obtidos nesse primeiro encontro? 
Michael Helry - Eu escolhi Sergipe pelo fato de a sede da Conaq estar situada aqui desde 2010. O objetivo desse evento é o de fortalecer as tradições dos festejos juninos no país inteiro, pois são as festas mais populares do Brasil, uma festa democrática e acessível. Discutimos o crescimento das festas no Nordeste, e de que forma a gente precisa melhorar as festas buscando parceiros e patrocínios. Para este primeiro encontro, o resultado foi bastante positivo.

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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

PostHeaderIcon Presidente da Conaqj fala sobre o Bloco dos Quadrilheios Arraiá Elétrico

Pré-Caju terá trio para divulgar São João
Com cerca de 500 quadrilheiros de diversos grupos do Estado, o trio Aráiá elétrico promete surprender a todos na Avenida Beira Mar


Michael Helry fala sobre crescimento do forró no Estado e conta a novidade do Pré-Caju
Uma novidade neste ano no Pré-Caju Verão que promete surpreender a todos na avenida com mais de dois mil integrantes é o trio do Forró Elétrico, entre eles cerca de 500 quadrilheiros de diversos grupos do Estado. A intenção é divulgar os festejos juninos em Sergipe que se orgulha de ser a capital nacional do forró.
Pensando nisso, a Confederação Nacional de quadrilhas Juninas (CONAQJ), que congrega as federações dos Estados está com sua sede em transferência para Aracaju. O Verão Infonet conversou com o presidente da Conaqj, Michael Helry para saber dos planos para Sergipe e como está a divulgação do nosso forró no resto do país.
Verão Infonet – Há quanto tempo a Conaqj existe e quantas federações são filiadas?


 

Michael Helry – A Conaqj trabalha diretamente com as federações nos Estados, ela tem dois anos e tem entidades filiadas em diversos Estados. São cerca de duas mil quadrilhas registradas no Brasil inteiro com exceção dos três Estados do Sul. Ao todo estamos em 24 Estados. Nossa sede era em Salvador, mas em 2011 ela estará em definitivo em Sergipe por conta da tradição, já que a cidade está sendo referência no Nordeste. Aqui no Estado nós trabalhamos com a Federação de Quadrilhas do Estado de Sergipe e a Liga de Quadrilha do Estado de Sergipe. Cada uma tem 36 grupos filiados.

VI – O bloco Arraiá elétrico é uma das grandes novidades para o Pré-Caju, qual o dia em que ele irá desfilar e quais grupos irão animar os foliões?
MH - O bloco acontece na sexta-feira, 21, de Pré-Caju, serão 10 quadrilhas ao todo na frente do trio, somando entre 500 e 600 quadrilheiros dançando. Já na parte de trás do bloco serão cerca de duas mil pessoas que gostam do forró e da cultura. A banda Mulheres Perdidas irá puxar o bloco, com a presença de convidados como Erivaldo de Carira, Zé rosendo e Marluce, Edgar do Acordeon, Joseane di Josa e João da Passarada.

VI – Existem mais novidades programadas para 2011 aqui no Estado? Quais são as outras ações da Conaqj em Sergipe?
MH - A novidade é que já em janeiro, no final do mês, irá acontecer o primeiro fórum nacional de quadrilhas juninas aqui em Sergipe. Vamos ter todas as entidades, o local ainda será definido. O foco é a discussão com as entidades através dos presidentes das federações, e com a possível presença do ministro da cultura. Nossa idéia é fortalecer a política de incentivo a esse tipo de manifestação, ou seja, saber das formas como o Ministério pode interagir com as quadrilhas, além de palestras com algumas pessoas. A destinação de recursos do Ministério da Cultura tem sido para outras áreas da cultura. Nossa idéia é montar um projeto de apoio a cultura junina.

VI – Com relação ao concurso de quadrilhas da Rede Globo que talvez seja o mais conhecido, ele tem alguma participação da Conaqj?
MH - A Rede Globo Nordeste realiza o concurso, mas não existe uma entidade maior que coordena as federações. Então estamos negociando com eles para que nós agreguemos e possamos contribuir para novas quadrilhas e que o evento cresça ainda mais. 

VI – No mês de julho, Sergipe está pleiteando sediar a competição nacional de quadrilheiros, qual a chance do Estado realmente receber esse evento?
MH – A idéia é que façamos esse concurso em julho aqui no Arraiá do Povo, na orla. Vamos começar a trabalhar em fevereiro para isso. Minas Gerais e Salvador já manifestaram a vontade em sediar, mas queremos trazer aqui no primeiro ano da sede da Conaqj em Sergipe. É um evento grandioso que deve reunir quase quatro mil quadrilheiros do Brasil inteiro. Além de quadrilhas que trazem ônibus de torcida, então é um evento que traz muita gente à cidade. Vamos conversar com o governo para que apóie essa idéia.

VI – Em relação à rua de São João existe algum projeto para o local que é um dos pontos tradicionais do forró em Aracaju?
MH - Em 2005 foi instituído no dia nacional do Forró foi instituído no dia 13 de dezembro em homenagem a Luiz Gonzaga e a primeira grande ação nossa aqui no Estado foi o evento na Rua de São João junto com a Federação, a liga e a diretoria da Rua de São João. Fizemos uma grande festa neste mês de dezembro. A idéia também é revitalizar a Rua de São João.

VI – Nos outros Estados, Sergipe já é reconhecido como o país do forró?
MH - As pessoas associam Sergipe com o Forró, mas não sabem da grande programação que existe aqui como Campina Grande e João Pessoa, eles trabalham muito forte com as quadrilhas juninas, com grupos locais, eles investem a cada ano. Eu acho que Sergipe ainda precisa abrir o leque e buscar parceiros e trazer idéias para melhorar isso. Ainda falta muita coisa, mas a gente chega lá.
Por Bruno Antunes

Fonte: Infonet VERÃO
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domingo, 23 de maio de 2010

PostHeaderIcon Zé Testinha - Passos tradicionais e o mesmo tema há 34 anos (Ceará)

Passos tradicionais e o mesmo tema há 34 anos. No Arraiá do Zé Testinha. O São João de lá, porém, incorporou, sim, elementos atuais. Reginaldo Rogério, à frente do arraiá, conta como isso foi feito

Pros lados da rodoviária, o trânsito é caótico, o comércio fervilha e o intenso vai e vem de pessoas há muito extrapolou o horário de picos. No final da Travessa Riachuelo, que beira a Borges de Melo, porém, o quadro muda de cores e o tempo parece outro. É ali que funciona o agora Centro Cultural Zé Testinha, a quadrilha junina que, desde 1976, mantém o mesmo tema, não inventa passo novo e aqui ou acolá insere composições próprias dentro do repertório que privilegia as canções de Luiz Gonzaga e Trio Nordestino. A iluminação do pequeno sítio não lembra aquelas luzes brancas da maioria da cidade e as casas (a família toda mora por lá) não têm forro. Que nem no sertão, na zona rural de Quixadá - origem de sua família.

``Aqui é quase como no sertão``, brinca Reginaldo Rogério, o próprio Zé Testinha (que não nega o apelido, mas estava de boné na última quarta-feira, quando recebeu a reportagem do
O POVO). Um quase que se aproxima às aparências do lugar e àquela singeleza e rigor com que (parte d)o pessoal do interior constrói seu caminho. A esse rigor, aliás, foram adicionados os ensinamentos do marketing que Reginaldo adquiriu com toques de amigos e palestras às quais assistiu, como a de Lair Ribeiro. ``Descobri que eu tinha que ser um águia. Por que a águia? Porque ela é um animal que voa mais alto tem a visão diferente de todo mundo``. (Júlia Lopes)

O POVO -
Quais são as suas primeiras lembranças de quadrilhas?
Reginaldo Rogério (Zé Testinha) - A minha tia dançava. Quando ela dançava, a gente era criança & somos seis filhos do meu pai. Quando eu tinha quatro anos, a minha irmã mais nova nasceu e a minha mãe ficava com ela e eu, que já caminhava com as próprias pernas, ia com essa minha tia ver os ensaios. Foi vendo quadrilha que eu passei a gostar de quadrilha.

OP -
O que te emocionava lá?
Zé Testinha - O meu avô fazia muita festa, no interior. E no sertão, quando tinha uma festa, mobilizava todo mundo. Não se tinha costume de ter tanta festa. Então quando tinha vinha gente de fora, tinha gente que vinha dois dias antes. Era difícil o acesso, então vinha de cavalo, vinha pra tomar café, jantar e almoçar e ficar pra festa. A gente não sabe explicar porque que gosta, mas gosta. E isso veio se fortalecendo à medida que o tempo passava, a gente imitava os grandes, e isso foi crescendo. Com sete, oito anos, a gente já brincava de quadrilha no colégio.

OP -
Quando as atividades começaram a se intensificar, ficaram mais profissionais? Foi com teu avô, teu pai ou contigo mesmo?
Zé Testinha - Eu acho que foi mais na minha geração, não foi em 1976, quando a gente tem a primeira notícia da quadrilha. Ao longo do tempo eu passei a ser uma pessoa organizada. Pelo estudo, pelo trabalho, a gente aprende a ser organizado. Apesar de eu ser mais vocacionado pra eletrônica, teve uma época que eu estudei marketing.

OP -
Fez faculdade?
Zé Testinha - Não, foi por amigos, há uns 15 anos, eles entraram numa rede de marketing e me convidaram. Então eu assisti aulas, palestras, vi o Lair Ribeiro, um monte de gente conhecedora do assunto. Mesmo trabalhando à noite eu ia. E nisso eu comecei a jogar os conhecimentos na minha quadrilha. E eu aprendi que eu tinha que me organizar, cumprir horário e buscar a credibilidade que não tinham de quadrilha.

OP -
O que mais você aprendeu com o marketing?
Zé Testinha - Eu ouvi falar muito de águia e descobri que eu tinha que ser um águia. Por que a águia? Porque ela é um animal que voa mais alto e tem a visão diferente de todo mundo: fazer com que o meu grupo crescesse sem precisar tá vendendo ele a um político ou um professor de folclore. Eu sempre pensei nisso aí, de ser um líder, uma águia. Você não vai mudar a minha opinião. É mais fácil eu mudar a sua opinião. Porque se não, eu não estaria fazendo quadrilha da mesma forma como eu comecei, sem fugir dos meus princípios. Eu quero conservar, eu só quero perpetuar. Eu aprendi que a gente tinha que ter um corrimão nas costas. Pra que o que eu fizesse hoje, eu estivesse garantido no próximo ano, que eu não criasse um monstro que eu não soubesse controlar. Eu não cairia porque eu estava segurando meu corrimão. O marketing me ajudou muito nisso. Trabalhar a marca & é muito feio esse nome Zé Testinha, né? É o quê, Zé Testinha? (risos). Começou com uma simples brincadeira: como eu tenho a testa avantajada, minha irmã me chamava de Testinha. E o meu nome é José. Mas depois ninguém trabalhou esse nome Zé Testinha, era Arraia Zé Testinha.

OP -
Isso foi mais ou menos na mesma época em que as quadrilhas, como se diz no meio, estavam ``evoluindo``?
Zé Testinha - É. Mas ainda tem muito que se aprender dentro de quadrilha em termos de responsabilidade. A quadrilha hoje não é mais a quadrilha de bairro, pra se dançar numa rua. A gente passou a ser espetáculo. Você ensaia, ensaia pra apresentar o espetáculo. A gente deixou de ser tradicional. Porque a quadrilha tradicional é aquela em que você vai pra uma festa e não tem combinado nada. É como se chama: improvisada. Os demais restos de quadrilha eu denomino como quadrilha-show. Você apresenta o seu show.

OP -
Você acha que dá pra fazer um paralelo entre a quadrilha do Zé Testinha, que é tida como tradicional, e as estilizadas?
Zé Testinha - Aí já é outra coisa. Você está falando da tradição da quadrilha e eu estou falando das quadrilhas tradicionais. As pessoas acham que as quadrilhas tradicionais é você botar um chitão (eu não considero chitão, porque um homem, da época, se botasse blusa florida, ele era tido como mariquinha ou coisa parecida. Hoje é outro nome mais forte. Mas ele não usava chitão, ele usava o xadrez). Na minha concepção, eu que fui criado no sertão (as minhas férias de colégio eram todas no sertão), até a forma de dançar do meu grupo foi tirada de lá. Você pode usar o chitão como marketing pras mulheres, mas para os homens é o xadrez que predomina. Então eu digo: por que a Zé Testinha é uma quadrilha tradicional? Ela é uma quadrilha-show, mas defende o tradicional. Eu conservo a forma de dançar, mas eu ensaio. Se eu não ensaiasse, eu era uma quadrilha tradicional completa.

OP -
E o que você acha das estilizadas?
Zé Testinha - Primeiro, o que a gente tem que ver é que o São João ficou belíssimo. Belíssimo com a minha quadrilha desse jeito, aquela outra do outro jeito e assim por diante. Você vai assistir a um espetáculo, cada um com ideias e focos diferentes. O mais importante é que a gente nunca deve deixar de ver aquilo ali (e aponta para um santuário iluminado de luz azul): a religiosidade. Por que nós estamos fazendo (quadrilha)? Por causa de São João Batista. Nós fazemos quadrilha pra brincar e lembrar que São João Batista nasceu pra batizar Jesus Cristo. Porque as pessoas às vezes estão fazendo quadrilha pra ser a melhor. Se a gente não se preocupar com o andamento do São João, as criancinhas que estão hoje vão entender que a quadrilha é o que elas estão vendo. O que se faz com as quadrilhas hoje é bonito, não deixa de ser bonito, mas estão fazendo coisas que ao invés de manter a história junina, deturpa um pouco a história. A gente observa o vestuário de quadrilha e fica bobo: o que tem de São João ali? É uma visão, logicamente. A gente tem que tá aberto ao modernismo, à evolução dos tempos, mas com responsabilidade. Faz 34 anos que eu faço o cangaço, porque foi a maior riqueza que eu encontrei. E todo ano pra mim parece que é o primeiro ano. Parte da quadrilha, no começo, não quis mais brincar. O cangaço é rico na mitologia do Nordeste, nos adereços, e é identidade nordestina. Era a forma de eu participar com as com as quadrilhas estilizadas porque eu trago alguma coisa rica também. Só não é rica de brilho, mas de história. Mas aí você me pergunta: o que tem a ver São João com o cangaço? Os cangaceiros eram nordestinos, e gostavam de São João.

OP -
A Federação começa agora a exigir alguns requisitos básicos para manter essa proximidade com as quadrilhas antigas. Como é que você acha que os quadrilheiros vão responder a isso?
Zé Testinha - Olha, eu estive, esse ano ainda, numa reunião da Unej (União Nordestina de Entidades de Quadrilhas Juninas), e pude fazer um parâmetro no que as pessoas pensam. A gente vê pessoas comprometidas com a cultura do seu estado. Hoje a gente vê vários tipos de quadrilhas e várias ideias diferentes, tem quadrilhas carnavalescas, por exemplo. A gente fica ali conversando, mas eu não coloco o meu pensamento. É aquela coisa: se você é Fortaleza e tá no meio da torcida do Ceará, você fica caladinho. Existe o seguinte: quem faz quadrilha porque gosta do São João e quem faz pra ganhar. Hoje em dia tem os temas. É muito parecido com as escolas de samba do Rio de Janeiro. Até o vestuário da quadrilha todinha é baseado em cima do tema. É uma forma de dizer que um explorou bem o tema, ou não explorou bem... Quem não tem um tema, eles rotularam como ``São João``, você tá entendendo? No fim, o evento que é dançar quadrilha, virou figurinha. Por causa da competição, as quadrilhas daqui tão ficando parecida com as de Recife, que são muito numerosas. Tem quadrilha lá que são 60 pares. Imagina 100, 120 pessoas dançando? Tem uma competição lá em Mossoró. Fui uma vez e Deus me livre de botar os pés lá de novo! Eles não querem ver quadrilha não. Eles querem ver espetáculo. Aí onde tá o negócio da tradição: se eu botar cenário, eu tô indo contra todos os meus princípios, eu tô evoluindo demais. Já eles não têm coragem de fazer o que eu faço. Em cima do que a gente faz, você tem que ter escolaridade. Eles já saíram da caverna, já sabem o outro lado. Não sabem mais voltar. Se eu chegar pra ti e disser assim: nós vamos ganhar, nós temos que ganhar, ganhar, ganhar, ganhar. Tu vai dançar lá e não ganha. Tu num ensinou a pessoa que tem que ganhar? Se não ganhou, eu vou lá pra que ganha. O que foi que aconteceu? Muitas quadrilhas deixaram de existir por causa disso. É uma bola de neve. Primeiro por isso. A outra bola de neve é que você começa a fazer muitas coisas mirabolantes, e vão aumentando tanto que você não tem condição de manter.

E-MAIS


> São João, para a quadrilha do Zé Testinha, é quase o ano todo. Pelo menos toda segunda-feira: ``Toda segunda-feira a gente se reúne aqui pra ir pro Pirata Bar. E lá é quadrilha mesmo, não é forró ou coisa parecida, não. É como se fosse uma micareta junina, um São João fora de época``.


> Geralmente são os próprios brincantes que pagam suas roupas. No Zé Testinha tudo é custeado pelo Arraiá. E quem disser que é porque é sempre a mesma roupa, Reginaldo contesta. ``Todo ano muda!``. Outras regalias dos quadrilheiros de lá é o ônibus com ar condicionado. Mas não vale levar acompanhante. ``Da metade pra frente vão os homens e da metade pra trás as mulheres``, diz, rigoroso.


> Muita gente que dança hoje na quadrilha é filho ou parente de alguém que já passou por lá. Vez por outra a entrevista era interrompida para vários ``boa noite``. Alguns, no entanto, são de fora. ``Esse aí (um rapaz que chegava de moto, com a farda do trabalho), paga alguém pra ficar uma hora no lugar dele enquanto ele dança quadrilha``, mostrou Reginaldo.


> Visitantes são bem vindos, e é certo encontrar conversa farta no sítio do Zé Testinha. ``Eu falo pelos cotovelos. E não sou só eu não, é a família todinha``. A movimentação por lá nessa época do ano se intensifica, com ensaios toda noite. E o entrançado de gente na casa também. ``Esse é meu irmão Ronaldo``, apresenta Reginaldo. ``Ele é poeta, faz cordel...``, ao que o irmão responde: ``Vixe, tudo isso?``



SOBE

As quadrilhas apostaram na beleza e não deixaram a prática morrer trazendo mais gente jovem para dançar, coreografar, musicar.

DESCE

Ao empresariado cearense, que ainda não acredita no potencial financeiro das quadrilhas juninas – que chegam a movimentar de R$48 a R$ 50 milhões por ano.


SOBE

Os momentos de integração que as quadrilhas promovem com as pessoas de uma mesma comunidade. São nos bairros da periferia que elas são mais numerosas.

DESCE

Os locais que não cuidam de toda a infra-estrutura necessária para a apresentação das quadrilhas, deixando os grupos expostos.


SOBE

Os novos compositores são estimulados a participar também: como a palavra chave das quadrilhas é inovação, eles acabam criando novas composições, enredos.

SOBE

A Federação das Quadrilhas Juninas do Ceará (Fequajuce), que instituiu um mínimo de passos tradicionais nas quadrilhas.


Fonte Vida & Arte
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