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Mostrando postagens com marcador Luiz Gonzaga. Mostrar todas as postagens
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

PostHeaderIcon Abertura da festa para Gonzaga em Exu atrai público de todas as idades

Chambinho do Acordeon se apresenta em Exu (Foto: Luna Markman / G1) 
Chambinho do Acordeon se apresentou em Exu, na abertura da festa de Gonzaga (Foto: Luna Markman / G1)
A noite caía em Exu, no Sertão de Pernambuco, mas o calor não ia embora. E quando a sanfona gemia, o clima esquentava ainda mais. Nesse tom, foi aberta, na noite desta quarta-feira (12), a semana em homenagem ao centenário de nascimento de Luiz Gonzaga. Na plateia do Módulo Esportivo, várias pessoas usavam o chapéu de vaqueiro, que o Rei do Baião popularizou Brasil afora. Tinha bastante gente do Piauí para ver shows dos conterrâneos da Orquestra Sinfônica de Teresina com o humorista João Cláudio e o sanfoneiro Chambinho do Acordeon - este último, que viveu o mestre Lua nos cinemas, este ano.

Entre o público havia, é claro, muita gente de Exu, terra natal de Gonzagão. O mototaxista Juciê Ferreira colocou o chapéu de couro para ir à festa. O filho Gabriel, de 4 anos, também usava a indumentária clássica de Lampião. O garoto está aprendendo a tocar sanfona em uma escola de música da cidade. “Eu sei ‘Sabiá’ e ‘Asa Branca’. Também sei andar de jumento”, orgulha-se o menino. “A gente bota o chapéu para afirmar nossa personalidade nordestina. É muito emocionante estar aqui, para prestigiar o ídolo que foi Luiz Gonzaga, pois foi ele que fez o povo do Sul nos respeitar mais”, opinou Juciê.

Juciê e Gabriel foram prestigiar a primeira noite de festa em Exu (Foto: Luna Markman / G1) 
Juciê e Gabriel foram prestigiar a primeira noite de festa em Exu (Foto: Luna Markman / G1)
Outro grupo orgulhoso era a Tropa de Picos, assim denominado em referência à cidade piauiense. Vinte e oito pessoas viajaram cinco horas até Exu. Também tinha gente de Jaicós, outro município do Piauí, onde reside a família de Chambinho do Acordeon. Inclusive um primo de segundo grau do artista estava na galera, o Chiquinho do Acordeon. “Ele estava muito bem no filme, todo mundo está gostando, porque ele está levantando a nossa bandeira mesmo. Quando ele subir no palco, vai ser uma adrenalina danada”, disse.


Antes de Chambinho, quem se apresentou foi a Orquestra Sinfônica de Teresina com João Cláudio, que desde março viaja o país com o espetáculo “Cantata Gonzagueana”. São 65 músicos, entre cordas, metais, madeiras, baixos e sanfona, que só conquistou espaço porque o repertório do grupo erudito ganhou uma roupagem popular, por meio dos arranjos do maestro Aurélio Melo.

Tropa de Picos no centenário de Luiz Gonzaga, em Exu (Foto: Luna Markman / G1) 
Tropa de Picos (PI) viajou cinco horas para chegar ao centenário de Gonzaga (Foto: Luna Markman / G1)
Também cantor, o  humorista João Cláudio contou que ouviu Luiz Gonzaga cantando pela primeira vez quando tinha 5 anos de idade. “Estava passando por uma igreja, às 18h, tocou o sino, quando ouvi aquela voz potente, que penetrou a minha alma. A música era ‘Ave Maria Sertaneja”, contou, emendando a bela música.

Depois foi a vez de Danilo Pernambucano. Jovem de 21 anos, natural de Salgueiro, Sertão pernambucano, ele subiu ao palco de chapéu de couro, gibão e sanfona branca. Músicas de Gonzagão, Dominguinhos, Jackson do Pandeiro e Trio Nordestino fizeram parte do repertório. O sanfoneiro Zé Nilton abriu espaço para Chambinho do Acordeon, que soube como aproveitar o sucesso do filme de Breno Silveira, "Gonzaga - De pai para filho", no qual interpretou Luiz Gonzaga na primeira fase da carreira.

Vestido com chapéu de couro, gibão e a famosa sanfona branca, o artista tomou para si a tarefa de fazer o público sentir o gostinho de ver - ou rever - o mestre Lua tocando ao vivo. O artista abriu com "Mangaratiba", "Mulher Rendeira" e "A Morte do Vaqueiro". "Vocês não sabem a emoção que sinto ao estar tocando aqui, na terra do Luiz Gonzaga. Tenho que agradecer por ter sido escolhido, em meio a mais de cinco mil concorrentes, para vivê-lo no cinema. Sei que teve o dedo dele ali", disse, emenando um parabéns a Gonzagão, já que o show entrou pela madrugada do dia 13 de dezembro, dia do nascimento do Rei do Baião.

Orquestra Sinfônica de Teresina (PI) (Foto: Luna Markman / G1) 
Orquestra Sinfônica de Teresina (PI) se apresentou com o cantor-humorista João Cláudio (Foto: Luna Markman / G1)
PALCO GONZAGÃO (módulo esportivo abre às 19h30 e shows começam às 21h)
Quinta (13)
Daniel Gonzaga
Dominguinhos
Gilberto Gil
Joquinha Gonzaga

Sexta (14)
Joãozinho de Exu
Amazan
Elba Ramalho
Waldonys

Sábado (15)
Sanfona de Januário - Genaro, Beto Hortis, Agostinho do Acordeon, Camarão, Zé Bicudo, Mahatma, Cezzinha e Dudu do Acordeon
Xote das Meninas - Cristina Amaral, Edilza Aires, Irah Caldeira, Liv Moraes, Nádia Maia, Patrícia Cruz, Terezinha do Acordeon e Walkiria Mendes
Novinho da Paraíba
Jorge de Altinho

PALCO AZA BRANCA (No Parque Aza Branca, a partir das 20h)
Quinta (13)
Taís Nogueira e João Silva, com participação especial de Dominguinhos
Josildo Sá
Alcymar Monteiro
Adelmário Coelho

Sexta (14)
Luizinho Calixto, Zé Calixto e Truvinca
Trio Nordestino
Quinteto Violado
Flávio Leandro

Sábado (15)
Bia Marinho/Em Canto e Poesia
Maria Lafaiete, com participação de Sérgio Gonzaga
Projeto Meu Araripe - Os Gonzaguinhas, Fua Carvalho, Zezinho de Exu, Forrozeiros do Gonzagão, Ana Paula Nogueira, Maurício Jorge, Leonardo Luna, Edgar do Cedro, Baião Mais Eu, Sarah Leandro, Sotaque Nordestino
Maciel Melo

PALCO JUAZEIRO (No Parque Aza Branca)
Domingo (16)
5h – Missa em homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga, celebrada por dom Magnus Henrique Lopes, bispo de Salgueiro, e o padre Domingos Pedro da Silva, administrador paroquial do Exu.

Domingo, a partir das 15h
João do Pife e Banda Dois Irmãos
Ivan Ferraz
Bel Lima
Jaiminho de Exu
Claudiana di França
Toinho do Baião
Dijesus

PALCO ARARIPE (Fazenda Araripe)
Quinta (13), a partir das 9h
Seguidores do Rei
Os Cabas de Gonzaga
Chá Cutuba
Vital Barbosa
Epitácio Pessoa
Donizete Batista
Leninho de Bodocó
Tárcio Carvalho
Coral de Aboios de Serrita
Flávio Baião
Antônio da Mutuca
Os Três do Cariri
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PostHeaderIcon Fazenda Araripe, onde nasceu Luiz Gonzaga, recebe fãs de todo o país


Monumento mostra o local onde nasceu Luiz Gonzaga do Nascimento, há 100 anos. (Foto: Luna Markman / G1 PE) 
Monumento mostra o local onde nasceu Luiz Gonzaga do Nascimento, há 100 anos.
(Foto: Luna Markman / G1 PE)
 
Carros do Mato Grosso do Sul, Tocantins, Piauí, Ceará, Maranhão, Goiás, São Paulo, Espírito Santo e vários outros cantos do Brasil se dirigiram, na manhã desta quinta-feira (13), para uma fazenda emblemática em Exu, no Sertão de Pernambuco, a Araripe. É que ela ainda guarda construções que marcaram a vida de Luiz Gonzaga, como casas nas quais viveram os pais Januário e Santana, a Igreja de São João Batista, a residência do Barão de Exu. Um monumento ainda mostra o local onde nasceu a criança que se tornaria o Rei do Baião, há exatos cem anos.


A Fazenda Araripe fica a 12 quilômetros de Exu. Uma estradinha de areia e cascalho, envolta de caatinga seca, distante 800 metros da entrada do terreno, leva ao local onde Luiz Gonzaga nasceu, no dia 13 de dezembro de 1912. Era dia de Santa Luzia, mês do Natal, nascimento de Jesus. Daí a explicação do nome escolhido para o caboclinho, Luiz Gonzaga do Nascimento, segundo filho do sanfoneiro Januário e da agricultora Santana. O padre que batizou o menino sugeriu chamá-lo de Luiz por ter nascido no dia de Santa Luzia; Gonzaga porque o nome completo de São Luiz era Luiz Gonzaga; e nascimento, porque dezembro é o mês do nascimento de Jesus.

O bancário Edson Massariol conheceu o lugar acompanhado do pai Pedro Massariol, que já tinha estado em Exu, em 2008. "Sou fã de Luiz Gonzaga desde 1952, quando eu tinha 18 anos e ele se apresentou na praça da minha cidade, Colatina, no Espírito Santo. Eu já tinha escutado ele pelo rádio. A primeira vez foi como a sensação de comer uma coisa gostosa", brincou Pedro. Quando soube da comemoração do centenário, quis que o filho visitasse esse pedaço do Sertão. "Admiro muito a poesia, o talento de Gonzagão. E o Nordeste todo é muito diferente do nosso estado, apesar da seca, é muito bonito", falou Edson.

Dona Raimunda de Souza mora onde viveu Chiquinha Gonzaga, irmã do velho Lua.  (Foto: Luna Markman / G1 PE) 
Dona Raimunda mora onde viveu Chiquinha Gonzaga, irmã
do velho Lua. (Foto: Luna Markman / G1 PE)
 
 Saindo da estradinha de terra, entrando na única "rua" da Fazenda, com poucas casas em cada lado da via, uma de cor lilás chama atenção. O movimento é tão grande lá dentro quanto nas calçadas, cheias de turistas. Ali viveu Chiquinha Gonzaga, irmã do velho Lua. Hoje, é dona Raimunda de Souza, de 77 anos, quem habita o lugar, mais duas filhas e dois netos.
Ela fala, bastante orgulhosa, que seu pai, Jesus de Souza, era primo de Januário. Naquela época, primo de pai era tido como tio. E Santana foi madrinha dela. "Se eles eram boas pessoas? Ave Maria, demais. Eles tinham muita consideração por nós, um povo bom mesmo", lembrou dona Raimunda, monstrando as fotos dos célebres parentes penduradas nas paredes de reboco.

Agora, a lembrança que não sai da mente dela é a da chegada de Gonzagão, em 1946, após anos no Rio de Janeiro. Prestes a completar 18 anos, Luiz fugiu de casa após desavença com a a mãe para o Crato, no Ceará, onde ingressou no Exército. Pulou de quartel em quartel pelo Brasil, até chegar na capital carioca, onde também iniciou sua carreira artística, tocando sanfona. Só quando ingressou na gravadora RCA e tocou no rádio, considerou-se um artista "de verdade". Então, achou que era hora de regressar a Exu.
"Eu lembro como se fosse hoje. Tinha uns 13 anos. Luiz chegou de madrugada, mas a gente só soube de manhã. Eu tava na roça e mãe me buscou, dizendo que era para eu me arrumar. Fui na casa dele, fui apresentada a ele, que tava todo vestido de branco, sentado em um banco de [madeira] bodocó e a sanfona. Foi festa o dia todinho. Só de pensar que ele morreu, encho os olhos de água. Apesar de ser rei, ele tratava todo mundo igual", contou dona Raimunda, sem largar o braço da repórter. Ela gosta de contar essa história...

Casa de Januário e Santana, pais do Rei do Baião, foi o cenário da famosa volta do sanfoneiro para a terra natal. (Foto: Luna Markman / G1 PE) 
Casa de Januário e Santana, pais do Rei do Baião, foi o cenário da famosa volta do sanfoneiro para a terra natal, cantada em "Respeita Januário". (Foto: Luna Markman / G1 PE)
 
A cena de Luiz Gonzaga voltando para Exu já era famosa por causa da abertura da música "Respeita Januário", onde o sanfoneiro descreve o retorno. Muita gente também conheceu essa passagem por meio do filme "Gonzaga - De Pai Para Filho", de Breno Silveira. A casa de Januário ainda está na Fazenda Araripe, pintada de amarelo. Muita gente posa para fotos lá.
Os visitantes também registram imagens do casarão do Barão de Exu, que era dono das terras onde a cidade nasceria, no século 19. Ele também construiu a Igreja de São João Bastista, onde os restos mortais dele estão enterrados. A Igreja, inclusive, inspirou Luiz Gonzaga na canção "São João do Carneirinho". No terreno, ainda é possível ver a casa construída para Januário viver a partir de 1951. Hoje, o local é um restaurante.
A Fazenda Araripe amanheceu em festa nesta quinta, com um palco montado para receber 12 artistas de todo o Nordeste. Os estudantes cearenses Elisa Barbosa e Txai Costa aproveitaram o forró. "Está tudo muito animado aqui. Vou ficar até domingo [16], para ver a missa. Estou achando tudo lindo, a cultura, as sanfonas, o povo. Coisas que eu só ouvia falar", comentou Elisa.
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quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

PostHeaderIcon Conaqj vai comemorar pelo terceiro ano em Sergipe o Centenário do Rei do Baião

Em 13 de dezembro de 1912, nasceu o Rei do Baião, no pequeno vilarejo com o emblemático nome de Exu, no sertão pernambucano, e recebeu o nome de Luiz Gonzaga Nascimento. Luiz porque era dia de Santa Luzia, Gonzaga por sugestão do vigário que o batizou, e Nascimento por ser o mês em que Maria deu à luz Jesus. Ele era filho de Ana Batista de Jesus, uma cabocla bonita conhecida como Santana, e de Januário José dos Santos, o único tocador de sanfona da região, um fole de oito baixos. 

Segundo dos nove filhos do casal, aos 8 anos já empunhava sua sanfona e recebia cachê para cantar e tocar a noite inteira em festas da região. Em 1920, era famoso por lá. Quatro anos depois, por causa de uma enchente, a família se mudou para Araripe. Lá, Gonzaga adquiriu um fole Kock de oito baixos, com a ajuda de um coronel, que pagou a metade do preço do instrumento. Luiz Gonzaga já ganhava mais que o pai, mas não tanto para comprar sozinho o fole, muito acima de suas posses.


Em 1926, ele foi para o Rio de Janeiro. Lá, se apaixonou por Nazarena, mas o pai da moça não gostou nem um pouquinho do namoro. Arrumou uma confusão e acabou vendendo sua sanfoninha de oito foles, indo em seguida para o Ceará. Aumentou sua idade para entrar no exército, e virou soldado Nascimento. Correu o país em missões militares durante a Revolução de 1930. Enquanto isso, seu pai, mestre Januário, conseguiu reaver a sanfona que Gonzaga tinha vendido. Gonzaga continuou no exército e, nas horas de folga, não deixava de ouvir músicas no rádio. Aí, decidiu fazer um concurso para músico, no exército mesmo – mas foi reprovado. Não conhecia a escala musical. Então, virou soldado-corneteiro e ganhou o apelido de Bico de Aço. Ainda no exército, em 1936, aprendeu a tocar sanfona de 120 baixos; comprou uma de 48 baixos e tocou em algumas festas. Ele pagou uma pequena fortuna para comprar uma sanfona branca, Honner, de 80 baixos, de um caixeiro-viajante. Só que o cara era um vigarista. Luiz Gonzaga, que a essa altura servia em um quartel em Ouro Preto (MG), foi então pra São Paulo atrás do vendedor pilantra. Não conseguiu achar o sujeito, mas não voltou de mãos vazias. Com o dinheiro que faltava pagar ao caixeiro-viajante, comprou uma sanfona igualzinha a que o fulaninho que o enganou ofereceu a ele.

Em 1939, Gonzaga deu baixa do exército. Voltou para o Rio com intenção de, de lá, ir para casa em Exu. Mas acabou ficando na Cidade Maravilhosa. Foi no Rio que apresentou pela primeira vez em um palco, o cabaré chamado O Tabu. 

Ritmos estrangeiros invadiram o país como consequência da grande guerra e Luiz Gonzaga não se fez de rogado: tocava todo tipo de música, incluindo blues e fox trot. Voltando às raízes, em 1940 foi ao programa de rádio de Ary Barroso, Calouros em Desfile; tocou a música “Vira e Mexe”, de sua terra, e conseguiu nota máxima. Então, ele foi trabalhar com Zé do Norte no A Hora Sertaneja, programa da Rádio Transmissora. No ano seguinte, assinou contrato com gravadora RCA Victor e lançou 4 músicas em um disco de 78 rotações. Gravou mais dois e ganhou destaque na mídia. Gonzagão gravou 30 discos instrumentais - não podia cantar neles por imposição da gravadora. Seu sucesso, até então, era apenas como sanfoneiro.

Em 1943, viu o sanfoneiro catarinense Pedro Raimundo se apresentar com roupas de gaúcho. Decidiu, então, vestir-se com roupas típicas do nordeste. E mais: irritou-se com a interpretação que Manezinho Araújo deu a uma composição sua em parceria com Miguel Lima: “Dezessete e Setecentos”. Resolve cantá-la. E aí seu sucesso só fez crescer, crescer e crescer. Gonzagão foi para a Rádio Nacional, onde Paulo Gracindo acabou divulgando seu novo apelido, Lua, por ter cara redonda. Em 1945, gravou seu primeiro disco tocando e cantando. O hit é “Dança Mariquinha”. O sucesso aumentou. Gravou mais e, em 1947, lançou a música que é um ícone de sua obra e um dos grandes clássicos da MPB: “Asa Branca”, em parceria com Humberto Teixeira. Foi também nessa época que adotou o acessório que marcou sua imagem, um chapéu de couro igual ao que Lampião usava. No ano seguinte, casou-se com Helena das Neves. Mas Luiz Gonzaga já tinha um filho de 3 anos de uma relação anterior, Luiz Gonzaga do Nascimento Junior. Posteriormente, adotou uma menina com Helena, a Rosa Maria. 

Em 1949, muito preocupado com a violenta guerra entre coroneis que acontecia em Exu, resolveu trazer a família para o Rio.
Começou a compor muito, principalmente em parceria com Humberto Teixeira e Zé Dantas. Suas músicas passaram a ser gravadas também por outros intérpretes e, em 1951, ele já era o Rei do Baião. A gravadora RCA Victor trabalhava praticamente só para ele. Em 1955, gravou seu primeiro disco de 45 rotações e, em seguida, o primeiro LP, de 10 polegadas e 33 rotações. Em 1958, no auge da Bossa Nova, gravou um LP de 12 polegadas: Xamego.
Em 1961, Luiz Gonzaga resolveu virar Maçom. Sofreu seu segundo acidente de carro e feriu o olho direito. Dois anos depois, sua sanfona Universal foi roubada e ele adotou, definitivamente, a sanfona branca. Mandou gravar “É do Povo” em todos os seus instrumentos.

Depois do golpe militar, em 1965, Geraldo Vandré gravou “Asa Branca” e Gilberto Gil começou a falar do Rei do Baião em suas entrevistas. Luiz Gonzaga gravou “Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores”, hino contra a ditadura, e “Fica Mal com Deus”, ambas compostas por Vandré. 

Aconteceu uma coisa engraçada em 1968. Carlos Imperial começou a espalhar que os Beatles gravaram “Asa Branca”! Mentira, claro. Luiz Gonzaga ocupou de novo muito espaço na imprensa por causa dessa brincadeira e virou destaque na revista Veja com a matéria “Gonzaga: a volta do Baião”. Em 1971, Caetano Veloso e Sérgio Mendes gravam “Asa Branca”. O nordestino de Exu virou sucesso entre os hippies. 

No ano seguinte, aos 59 anos, Gonzaga se apresentou para um público jovem no Teatro Teresa Raquel, no Rio, uma iniciativa de Capinam. Deixou a RCA Victor e foi para a Odeon. O grego Demis Roussos também gravou “Asa Branca”, em versão em inglês, “White Wings”.
Em 1980, ele cantou para o Papa João Paulo II e recebeu um “obrigado, cantador”. Ele se emocionou muito. Em 1982, virou, enfim, Gonzagão. O filho, Gonzaguinha, o acompanhou numa turnê e já mostrava que só daria orgulho ao pai. Os dois haviam gravado juntos o LP Descanso em Casa, Moro no Mundo, grande sucesso. Em 1984, ganhou seu primeiro Disco de Ouro com o LP Danado de Bom. Três anos depois, veio o Disco de Platina com Forró de Cabo a Rabo. Em 1988, foi para a gravadora Copacabana. Lá gravou seus últimos LPs. 

Naquele ano, separou-se de Helena e assumiu a relação com Edelzuíta Rabelo. Em 1989, Gonzagão se apresentou pela última vez, surgindo no palco em uma cadeira de rodas. Ele sofria de osteoporose e, desobedecendo ordens médicas, participou de um show, com Dominguinhos, Alceu Valença e Gonzaguinha, entre outros, no dia 6 de junho no teatro Guararapes, em Recife. No dia 21 de junho foi internado e morreu no dia 2 de agosto, aos 76 anos, no Hospital Santa Joana, na capital pernambucana. Curiosamente, nesse mesmo dia, uma galinha pela qual Luiz Gonzaga tinha grande estima morreu também. A galinha estava em uma das fazendas que o Rei do Baião havia vendido com tudo dentro, fazendo, porém, uma recomendação especial para cuidarem muito bem da bichinha. Dizem que ela morreu de tristeza.

Para quem for acompanhar o desfile da Unidos da Tijuca, hoje, algumas informações:
Enredo: “O dia em que toda a realeza desembarcou na avenida para coroar o rei Luiz do sertão”

Samba da Unidos da Tijuca:
Segue a letra do samba, composto por Vadinho, Josemar Manfredini, Jorge Callado, Silas Augusto e Cesinha:
Nessa viagem arretada
“Lua” clareia a inspiração
Vejo a realeza encantada
Com as belezas do Sertão
“Chuva, sol”, meu olhar
Brilhou em terra distante
Ai, que visão deslumbrante, se avexe não
Muié rendá é rendeira
E no tempero da feira
O barro, o mestre, a criação
Mandacaru, a flor do cangaço

Tem “xote menina” nesse arrasta-pé

Oh! Meu Padim, santo abençoado
É promessa, eu pago, me guia na fé
Em cada estação, a “triste partida”

Eu vi no caminho vida severina
À margem do Chico espantei o mal
Bordando o folclore, raiz cultural
Simbora que a noite já vem, “saudades do meu São João”
“Respeita Véio Januário, seus oito baixo tinhoso que só”
“Numa serenata” feliz vou cantar
No meu Pé de Serra festejo ao luar
Tijuca, a luz do arauto anuncia
Na carruagem da folia, hoje tem coroação
A minha emoção vai te convidar
Canta Tijuca, vem comemorar
“Inté Asa Branca” encontra o pavão
Pra coroar o “Rei do Sertão”
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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

PostHeaderIcon Exclusivo: veja o primeiro cartaz de Gonzaga – De Pai Pra Filho, dirigido por Breno Silveira



Depois de levar uma trama sertaneja às telonas com 2 Filhos de Francisco – A História De Zezé Di Camargo & Luciano e usar as canções românticas de Roberto Carlos como pano de fundo de Á Beira do Caminho, o diretor Breno Silveira investe mais uma vez na música com Gonzaga – De Pai Pra Filho. Trata-se de mais uma cinebiografia musical, como 2 Filhos…, mas desta vez dedicada à conturbada de Luiz Gonzaga e Gonzaguinha. A imagem ao lado (veja aqui ampliada) é do primeiro cartaz do filme, divulgado com exclusividade pela Rolling Stone Brasil. O rosto que estampa o cartaz é do músico Chambinho do Acordeon, selecionado entre mais de 5 mil candidatos para interpretar Luiz Gonzaga no cinema.


“Considero Luiz Gonazaga um baluarte [da música brasileira]”, conta Chambinho por telefone. “A bossa nova tem influência do baião e até a MPB tem uma influência muito forte dele Se for reparar, antes dele todos os cantores tinham aquela voz impostada, até mesmo no samba. Entre os cinco maiores da música popular, ele com certeza está no meio”, reflete. “Conseguiu urbanizar uma coisa que já existia lá no sertão – e com propriedade”

A história de como Chambinho (nascido Nivaldo Expedito de Carvalho), de 32 anos, chegou ao papel, daria um filme em si – especialmente se levarmos em conta a empolgação dele ao narrar dia a dia as lutas e as expectativas com o papel. A esposa o inscreveu para o processo seletivo sem seu conhecimento e foi escolhido para um teste. O problema foi que só depois o casal soube onde seria essa primeira parte da seleção: na Lapa. Ou melhor, nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro. “E eu moro em São Bernando do Campo” (São Paulo)”! Mas ele não se intimidou, resolveu investir mesmo. 
Alugou um carro e a santa esposa foi dirigindo a manhã toda, enquanto ele ia tentando decorar os textos. Chegando lá, alheio ao funcionamento do mundo da produção de cinema, cansado e tenso, o nervosismo fez com que esquecesse as falas e ele acabou fazendo o teste lendo. Ainda assim, foi selecionado para conversar com a equipe, que informou que ele acabaria forçado a abrir mão de fazer seus shows e teria que emagrecer para o papel. Passou para a etapa seguinte, agora com a participação de Breno Silveira, que avaliaria se o artista daria conta de aprender a atuar. “Passei uma semana com a Laís Correia, que treinou os meninos de 2 Filhos de Francisco. 

Era todo dia, das 7h às 17h, por uma semana”, relembra, orgulhoso. “Mas o Breno ainda não se deu por satisfeito. Nesse meio tempo da seleção, fui ao Nordeste para tocar”. Em certo momento da viagem, aproveitou que estava mais ou menos perto de Exu (PE), cidade de Gonzaga, e se abalou até lá, com a família a tiracolo, só para conhecer o museu dedicado a ele. “Como a cidade da minha mãe fica na região, procurei saber a distância que estava de lá e me disseram que eram 150 km, no máximo, 200 km… Sabe quanto deu? 300 km! Chegamos lá e já estava fechando, mas vimos o museu. E estava lá quando recebi a ligação dizendo que eu tinha sido selecionado!”

Chambinho lembra que o dia mais difícil no set foi quando a família do homenageado apareceu no set para uma visita. Rosinha, filha de Gonzaga, e Daniel, neto dele, deixaram o astro da produção nervoso. “Nesse dia não consegui render o esperado por conta da responsabilidade de ter pessoas da família ali. Mas eu me dediquei ao máximo”, diz ele, que não tem planos de trocar a carreira oficial pela atuação. “Minha ideia é continuar na música”, diz. “Se aparecer algo menor eu até pego. Mas pegar um protagonista é complicado.”

Pensando em tudo que aprendeu sobre o ídolo nesse centenário dele, em que diversas outras homenagens também estão sendo preparadas, Chambinho revela: “Fiquei surpreso com muitas coisas. Eu não sabia que ele tinha passado quase dez anos no exército; que ele deu mais de 300 sanfonas; que foi muito bom para Dominguinhos. Além de divulgar a música do nordeste, sempre foi muito bom com seus conterrâneos e não tinha apego por dinheiro. Uma das coisas que não sabia era isso: ele recebia um dinheiro, aí aparecia alguém falando que estava precisando de um remédio e ele tirava do saco – naquela época se guardava em um saco – e dava para a pessoa.”

E refletindo a respeito da relação pai e filho retratada tão intensamente no filme, pensa em como os dois eram muito parecidos, apesar de tão diferentes. “Eles eram iguais na teimosia! E na genialidade. Essa relação conturbada dos dois… o Luiz Gonzaga era um predestinado, o considero assim. Mas ele tinha essa questão da dúvida [da paternidade]”, diz ele – sempre houve uma dúvida se Gonzaguinha era seu filho biológico (vide trailer abaixo), alguns biógrafos garantem que a mãe dele, Odaléia, já estava grávida ao conhecer Luiz Gonzaga. 

“Eu acredito que eram pai e filho sim”, afirma o entrevistado.



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terça-feira, 24 de julho de 2012

PostHeaderIcon Conaqj prepara uma grande festa para comemorar o Centenário do Rei do Baião

O Rei do Baião será cantado em verso e prosa em 2012. No ano do centenário de seu nascimento, o pernambucano Luiz Gonzaga do Nascimento vai receber uma infinidade de homenagens Brasil afora. E a Festa com a Conaqj não poderia deixar de prestar seu tributo àquele que é o maior expoente de alguns dos ritmos mais genuinamente brasileiros, como o forró e o baião.

A homenagem da Conaqj já tem data e local para acontecer, será no dia 13 de Dezembro em diversos Estados. Já são 3 anos consectivos que a Confederação Nacional de Quadrilhas Juninas e Grupos Folclóricos (Conaqj) realiza o Dia Nacional do Forró, com muitas homenagens, forró, quadrilhas juninas, o evento este ano promete fechar com chave de ouro o Centenário do Rei do Baião.
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